quinta-feira, 29 de julho de 2010
Pedra Santa
Era mais um dia de sol, como outro qualquer. O grupo começou a caminhada, mais tarde do que imaginava, o sol queimava a pele, de tão forte. Todos protegidos com bonés, camisetas e protetor solar. O primeiro percurso era simples, consistioa em atravessar a praia de uma ponta à outra. Essa travessia podia ser feita pelo vilarejo ou pela beira da praia. Para se protegerem do Sol, adentraram no vilarejo até a chegada das rochas. Eram em cinco, compactuaram que fariam a trilha até chegar em Antigos em silêncio. E assim foram. Cada um com suas impressões e sentimentos pessoais. Quando a respiração fica ofegante, a percepção de si e do corpo aumenta, dilata. Comentou o rapaz, quebrando o silêncio. Continuaram. Depois da subida em mata aberta e solescaldante, começa a descida na sombra. A terra estava um pouco enlamaçada, pouca coisa. Mas exigia certo cuidado, para não escorregar. A meta era visitar Antigos e depois pegar a trilha contrária até antiguinhos. Ninguém sabia ao certo quanto tempo levaria todo o percurso. Saíram sem alimentos e sem água. Planejavam subir até a nascente em Antigos e beber da água pura e cristalina, que cai antes de se juntar às aáguas vindas do vilarejo. Chegaram em Antigos. É uma praia deserta, selvagem ainda, recebe de vez em quando alguns banhistas para o surf e um pouco de sossêgo. O sol é qunte, e não tem onde se proteger, a não ser algumas árvores no pé de onde a nascente desemboca. Começaram a subir, logo na entrada da trilha par a nascente, tem um pequeno poço que é preciso mergulhar para prosseguir. Depois o caminho continua pelas pedras, ou pela margem. Há uns dois anos atrás ela havia feito esse percurso. Estava tão diferente. Suas impressões eram outras. Muitas transformações haviam ocorrido de lá pra cá. Lembra-se de que na primeira vez se sentiu um pouco incomodada com a subida na mata, entre as pedras. Dessa vez estava mais tranquila, mais segura. Era a última do grupo, mas estava atenta a cada pisada e a cada apoio de mão do percurso. Foi quando focou algo enterrado na margem do rio que se mostrava. Tocou achando que era um pedaço de plástico deixado por alguém. Mas quando cavou persebeu qeu se tratava de uma pedra, dessas de cachoeira. Marrom escura, fosca, lisa. Era grande, preenchia a palma da mão, mas numa figura vertical. Parecia uma santa. De costas tinha até o formato do manto e do braço segurando a criança, como Nossa Senhora. Ficou impressionada. Ah, ela tem uma coleção de pedras de vários lugares que já visitou, uma delas é do Monte Senai, presente de um amigo. Banhou sua pedra Santa na água límpida e mostrou ao grupo. Alguns se espantaram, outros não ligaram e teve até quem nem se expressou. Para ela estava claro que se tratava de um presente muito especial. Um sinal. Não sabia o significado, mas isso não tinha importância. Talvez fosse um presente por seu crescimento desde a primeira vez que pisara ali, até agora. Um reconhecimento das transformações que sofreu, e do outro olhar que coloca sobre as coisas. Se sentiu muito feliz. Guardou sua pedra Santa na mochila de um companheiro e continuou o passeio. Depois de chegarem na nascente e aliviarem a sede, nadaram um pouco, e voltaram. Já era tarde e não daria tempo antes do sol se por, para fazer a trilha até Antiguinhos, ficaria para outro dia. Chegaram em Antigos e começaram a voltar, no meio do caminho ela deciciu pegar a pedra, mas inexplicavelmente ela não estava lá. Alguém sugeriu que voltasse para procurá-la. Mas ela, apesar da inquietude que sentiu, achou que não era o caso. Talvez o lugar da pedra Santa fosse lá mesmo. Ela não teria o direito de levá-la para outro lugar, E seguiram o caminho de volta da trilha. Subiam a trilha pela sombra até o topo de onde viam toda a paisagem do Sono, e começaram a descer já em mata aberta. Quando chegaram no vilarejo, ela quis pegar a mochila novamente em busca da pedra. E para sua surpresa ela estava lá. Que alegria! Não havia perdido aquele presente que fora tão siguinificativo naquele momento, naquela cachoeira, dois anos depois da primeira vez que estivera ali, etc. Guadou-a com cuidado no mesmo lugar. Não sabia exatamente quantos dias depois sairia da ilha, aliás já tinha perdido as contas de quantos dias haviam se passado desde que chegara ali. Os dias prosseguiram e ela estava certa de que sua Pedra Santa estava bem guardada, seguiram caminho para o sul do estado, rumo à São Paulo. Chegou em casa, desfez as malas e foi direto na mochila que estava sua Pedra Santa. Mas a pedra misteriosamente não estava mais lá.
(Praia do Sono-RJ - Jan/2010)
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